terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O Abismo

Sempre está lá. Esperando a minha descida. O momento em que me tornarei sua parte. Estarei a sua mercê e serei seu obediente servo, na queda interminável.

Cada segundo é uma eternidade. Os primeiros, então, estendem-se através do infinito. E eu seguro o grito e observo a imensidão. A escuridão. Mas o fundo, ah, o fundo, não posso enxergar. Não está lá. Talvez nunca esteja e ficarei a cair e cair.

As vozes ecoam de forma abafada. Não sou a primeira alma e nem a última. Sou apenas uma das muitas que passarão por aqui. E todas terão o mesmo fim. Esquecimento. Ostracismo. A diferença não transcende o significado. Seremos, todos, lançados à histórias perdidas, para sempre apagados da memória. Abstraídos, apenas.

Não há distinção ou especifícação. A queda não diferencia os seres, portanto, sujeitos ao mesmo fim inevitável. As mesmas diferenciações não afetam as reações. Se berram, choram, esbravejam ou riem, o resultado é equivalente ao já definido. Por isso, permaneço indiferente e aguardo o inexistente fundo.
Existem sempre muitos motivos para a tristeza.

A morte da atriz favorita. A morte do baterista da banda favorita. A morte do respeito aos ídolos. A morte da disposição física. A morte do bem-estar diário. A morte do bom senso dos parentes. A morte da generosidade do irmão. A morte da segurança própria.

Como posso disfarçar a tristeza?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Redenção e Recomeço

O canto escuro envolvia a alma acorrentada pelas derrotas. Tantas, que cultivava-as em forma de memórias prezadas. Os "princípios" que definiram cada passo propositalmente atrasado. Cuidado? Não. O medo; a companhia e a espada que empunhava. Lutas inicialmente terminadas; ausência de motivos. Frágil e perdido; o céu acinzentado era o refúgio da realidade. "A luz enganará a todos".

De qual brilho falava? Certamente, segurava-se à beira do abismo. A visão ainda lhe propiciava a sanidade, embora pouca. Mas era ignorante; nem todas as luzes reveleram-se à ele. Estava submerso. Anos submerso. E distorciam-se os olhares. Ou simplesmente desapareciam.

A vontade. A bravura. A esperança. O retorno. Tornaria a desapegar-se do erro. A paixão pela melancolia desintegrava. Era outra paixão. Não seria direcionado, mas sim ateado, pela luz. Salvação? Sim.

Redenção e recomeço.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Sem saco pra títulos idiotas

Desculpem-me leitores, mas isso sera extremamente informal:

Porra, to realmente cansado. O ano terminou, finalmente. To com as paranóias de sempre e não aguento mais isso. Queria parar de me preocupar tanto e simplesmente ser feliz. Mas não dá. Quando tudo se acerta, algo parece errado. E eu não sei o que é. Sinceramente, não sei. Sei que a minha individualidade ta se perdendo, e eu odeio isso. Cansei de malas dizendo como devo ser ou agir. Quero ser mais independente e mandar um monte de gente se fuder. É só um desabafo mesmo, e pode ser até efeito do remédio que tomei mais cedo (?). Espero melhorar, porque essa angústia ta meio chata demais.

That's it.

domingo, 29 de novembro de 2009

Destino

Chegou lá, acompanhado de sua mãe e alguns amigos dela. O local estava cheio, para a supresa do rapaz. Ele não imaginava que um evento como aquele poderia atrair elevado número de pessoas.

Todos, impacientes com as portas fechadas, aguardavam. O pequeno grupo, formado por ele, sua mãe, uma amiga dela e o filho da amiga encontrava, a cada momento, antigos conhecidos. Faziam os cumprimentos básicos, tentando quebrar o clima da indiferença. Obviamente, nenhuma conversa tinha sequer alguma profundidade. Mas o rapaz, desnorteado com a situação, ficava viajando. Pensava em qualquer coisa e nenhuma coisa. Não era muito chegado em "fazer social" nem nada. Por isso, respondia com monossílabas que pudessem encerrar a conversa ou, ao menos, fazê-lo escapar dos "papos mortos", como gostava de chamar.

Cresceu a inquietação de todos no momento em que, finalmente, abriram-se as portos. Cada um sacava seu ingresso, colocava-se na fila e esperava o momento de entrar no teatro. O rapaz já enunciou os lugares ao seu "grupo": últimas fileiras, para uma visão melhor da apresentação que estava prestes a se desenrolar.

Sentou-se e continuou a viajar. O resto do "grupo" conversava entre si, e ele só focava-se em músicas de uma banda que havia conhecido há alguns dias. Um metal japonês cheio de solos de guitarra. E era isso que apreciava: solos de guitarra. Tocava-os no ar aleatoriamente. Air guitar em uma apresentação sobre bossa nova. Com certeza, não fazia nenhum sentido.

Foi aí que, por um breve segundo, saiu do estado de "transe guitarrístico". Algumas fileiras a sua frente, uma garota, como nunca antes havia visto. Loira de cabelos lisos e olhos azuis. Ficou instantaneamente hipnotizado. Observava-a todos os momentos e sentia se observado por ela. Uma conexão inexplicável desenvolvia-se naquele momento. O coração, geralmente fechado, palpitou.

Porém, viu-se estremecido. Aos lados da perfeita garota, dois garotos. Imaginou, então, que havia uma possibilidade real de um deles estar envolvido com ela. E esse pensamento drenou um pouco de sua esperança. Esperança essa, que nem sabia direito como existia. Mas existia. Isso, no entanto, não a impediu de continuar olhando-o. E ele retribuía o gesto. Estavam, lentamente, entrando em uníssono.

A apresentação já não importava. Ele e ela, ela e ele. Encontravam-se atraídos mutuamente. Em nenhum momento havia sentido uma sensação com aquela. Era o Destino agindo sobre ele. Ele, que acreditava em livre arbítrio, tragado pelo Destino. Continuava extasiado pela garota. E assim foi durante o resto da noite.

O final aproximava-se e algo aconteceu: ela foi embora. "Antes da apresentação acabar, ela foi embora!", esbravejava mentalmente o rapaz. Foi atingido. Imaginava que, talvez, fora enganado pela sua vontade de tê-la. Que nada havia sido real. Que ela lançava olhares por nenhum motivo ou que ela nem havia lançado olhares. Não sabia o que fazer.

Terminou o show. Desceu cumprimentar os músicos, um deles, grande amigo seu. Contou à ele sobre a garota e todo o sentimento que crescia dentro dele. O amigo não sabia direito o que falar, mas achou graça na história toda. Foram, ambos, embora dali e para o sono. A noite estava encerrada.
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A vida voltou ao normal. O rapaz concentrava-se em rua rotina. Aula, guitarra e saídas ocasionais com os amigos. Nada demais. Apenas o usual. Até que...

...um dia, estava em uma das redes sociais virtuais que frequentava e não acreditou no que viu. Amiga de uma amiga sua, estava lá, ela, a garota loira que hipnotizou-o há alguns dias atrás. Observou seu perfil, sem reação. Não sabia o que fazer. Nem o que sentir. Resolveu, finalmente, desligar o computador e esquecer o ocorrido. Surreal demais à ele.

De noite, entretanto, voltou à mesma rede. Lá havia um recado, e este mudou-o. Era dela, perguntando se já haviam se visto anteriormente. Respondeu. Esperou outros recados, e eles vieram. Tudo aquilo estava além da compreensão do rapaz. Muito além. As coincidências eram tantas e nelas ele se perdia. Se perdia em sentimentos, também. Estava, literalmente, abismado com toda a situação. Era, novamente, o Destino agindo sobre ele.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Meus pêsames

Todos são poetas. Escritores. Seres pensantes ao extremo. Individualizam-se em uma falsa intelectualidade construída por banalizações superficiais. Hipócritas em demasia, fecham-se em um "mundinho" próprio. Criam as próprias expectativas e ideologias.

Porém, não há nenhuma prática. A teoria reina. O que importa é exprimir opinião, mesmo sem embasamento, sem argumentos, sem nada. Cada um tem a sua. Defendem e atacam futilmente. Ainda, nem importam-se em ouvir o outro. Para os individualistas, talvez faça sentido ser ignorante. Agora, os coletivistas que negam-se a aceitar outros posicionamentos deveriam sentir vergonha. Vergonha por não saberem sobre a inexistência de absolutos.

A palavra perdeu seu significado. Depois de mandar a fala à forca, a escrita agora brinca com a corda enquanto espera o movimento da alavanca...

domingo, 8 de novembro de 2009

No more sad voices

Estou te observando através do espelho. Sinto que nos conhecemos desde sempre. E o "sempre" faz-me sentir em casa.

Mas, como você se sente? Esta é a questão. Não estou esperando uma resposta fácil. Você inicializou a minha alma, agora apaixonada por ti. Como eu me sinto? É outra questão. Falar "amor" é muito fácil, mas expressá-lo em sua integridade é difícil. É por isso que passo as horas sentado só em minha mente. Pensando em uma maneira de tentar começar a explicar esse sentimento que está dentro de mim.

Se esta é uma cena diferente, é apenas diferente do que já vimos. As estrelas brilham hoje para nós, minha amada.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Preocupações

Entrei em uma batalha interna. Meu arrogante ego escolhe as piores horas para não se manifestar.
Não há um porquê em me importar. Ainda assim, me importo. Cadê a boa e velha insensibilidade de sempre?

Esconde-se, temerosa. Algum sentimento em mim é mais forte do que ela. E isso me irrita. Irrita demais. Quero minha frieza. Minha casca dura de pedra. Meu reduto para não demonstrar insegurança. Não quero ser fraco...

Ainda assim, tua ternura me comove. Tuas intenções são as piores, mas me comovem. Já joguei esse xadrez várias vezes, e a derrota sempre me acompanhou. Melhor sair do jogo. Ou, atualmente, melhor resistir ao jogo. Pois, caro leitor, ele está apenas começando...

Discernimento

Já não vejo mais as diferenças. Amor e ódio, um uníssono? Talvez. Fico frustrado por, ao mesmo tempo, amar te odiar e odiar te amar...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Futuro derretido

Humilhe-se o quanto quiser. Ignore minha óbvia grosseria. Tente desrespeitar minha decisão de me afastar de ti. Nada mudará. Enquanto o meu orgulho prevalecer; enquanto os pingos de chuva apagarem lentamente as memórias, insista. Ou voará alto, ou caíra no chão com asas quebradas. O tempo decidirá: foi suficiente?

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Contagem

Vesti outra máscara e testei-a.

O ciúmes rendeu-me mais de um ano de namoro. A total privação de sair desacompanhado, relacionar-se totalmente com amigos e reduzir meu tempo à outra pessoa deu-me meses de companhia. Obviamente, companhia dispensável.

Após, fui para um segundo modelo. Tentei ser perfeito. Mas o ditado é o correto. Não há perfeição. Fui cavalheiro, sensível e gentil. Funcionou por um tempo, porém estava fadado a cometer alguma falha. No caso, foi tornar-se entediante demais.

A terceira e mais recente tentativa foi ser liberal. Liberal ao extremo. Faça o que quiser; não me importarei. Mais um erro. A liberdade foi exercida em excesso. Caí em desgraça novamente.

Cansei de fingir sentimentos. Não vou ficar elogiando ninguém, não há razões. Sinto-me no estúpido papel de fazê-la feliz. Acabo me importando pouco comigo e muito com ela. Ela, aquela que, desde o início, não mereceu minha atenção. Minha culpa; uma nova máscara será feita para a próxima guria e, novamente, testada. Até lá.

domingo, 25 de outubro de 2009

Ideais Inconvenientes

Observar tornou-se uma paixão. Analisar cada aspecto de determinado coisa e deduzir tudo sobre ela. Prever o futuro e fazer descobertas está ficando cada vez mais fácil pra mim. É só observar muito e pensar.

Um relógio gira rápido demais. Outro, devagar demais. Uma árvore balança com o sombrio vento da noite. Busco suas semelhanças. Estão perfeitamente posicionados. Rápido demais pois as felicidades se foram. Devagar demais pois o sofrimento continua aqui. Balança porque não tem equilíbrio algum. São ideais, porém, inconvenientes.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Pele de Vidro

A neblina flutuava em ritmo lento e alternado sob o ar seco e frio. As nuvens atravessavam seu corpo. Soltavam risadas curtas a medida que o deixavam para trás. Uma lágrima desceu do rosto finalmente abandonado...

Enquanto caía, as partículas desmoranavam-se em forma de pequenos cubos de água. Apesar de minúscula, ele via o fenômeno naturalmente, como se estivesse contemplando o gran finale de uma colossal estátua . O pensamento o desviou da tristeza que a solidão lhe proporcionava.

Atingiu o chão. O espetáculo havia acabado. Voltou-se para o horizonte cego e cinza, esperando para ser observado. Uma fenda abriu-se lá, distorcendo o tempo e o espaço. "Estou enlouquecendo", pensou. Um ser alado foi em direção àquela abertura. Ao vê-lo, aquele homem sentiu esperança. O ser desintegrou-se quando se aproximou demais. A esperança do homem havia morrido.

Foi, então, vagando até lá. Esperava desintegrar também. Sua pele de vidro refletia a intensa luz do ambiente. Rachava e quebrava, mas não tinha dor. Alí estava para decidir seu caminho. Seu destino. Arrastou o resto que chamava de "vontade" até ver uma pequena mão...

Alcançou a mão, suavemente, e a apertou com força. Era pura. Não havia sido corrompida pelo mundo ao redor. Um recém-nascido que, no seu despertar para o mundo, despertou o homem também.

Levantou-se e jogou fora a caixa de remédios que segurava. Olhou para a janela e percebeu o sol refletido na sua pele de vidro. Sorriu.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Reerguer-se

Mesmo nas lutas mais internas, complicadas e intricadas. Mesmo no derramamento de sangue e suor diário. Até mesmo o sofrimento e a dor levam-me ao mesmo lugar...

No canto escuro, derrotado, volto-me a quem nunca deixou de se importar. Algumas pessoas são pra sempre, é verdade.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Não há mais jeito

Mais um mês se passou e tudo se repetiu.

As tragédias voltaram, mais uma vez. Me deixei levar apenas para ser atingido novamente. Todos mentem e eu, ingênuo, escolho ser enganado. O pouco da consciência que tenho se perdia por um sentimento inútil.

Mentiu para mim desde o início...e depois dizem que os homens são todos iguais. Mas não. Foi exatamente a mesma coisa que me aconteceu, com outra guria, a um mês atrás. Um processo repetido de sofrimento.

Cansei de escrever, a raiva não deixa. Não vou confiar em mais ninguém. É meu epílogo. Deixo-o para quem se prestar para ler.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ir

Ir embora
Ir para longe
Ao infinito inalcançável
Ao inimaginável além
Ir e voltar, várias vezes
Para o sono
Mas nunca, nunca, acordar

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Os fracos sempre serão fracos

São as árvores, balançando ao som do vento, escondidas pelo céu escuro. Eu apenas observo o curso das coisas, à parte de tudo. Queria ser simples como elas, seguir um ritmo constante e sem preocupações.

Eu tentei, realmente. Fui sereno e segui o fluxo. Batalhei ao mesmo tempo que era derrotado. Mas, como toda briga, não há vencedores: aguardo a tragédia pacientemente.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Um trecho de perguntas

Outra chuva. Outros ares. Outros sentimentos.

Os caminhos errados. O rumo errado. O constante movimento de queda para algum outro abismo que criei no decorrer do ano. Todos parecem rápidos e eu, lento, continuo nesta trajetória visivelmente sem fim. Cada singelo desvio me afasta mais de qualquer propósito.

As antigas certezas agora são dúvidas.

domingo, 11 de outubro de 2009

Conflitos e mais conflitos

Todos os dias coloco uma máscara diferente. Perdi minha identidade. Sou apenas o que julgo conveniente para determinado momento. Depois mudo. Sou outro ser, totalmente alterado do que era anteriormente. Uma mistura inacábavel de personalidades confusas.

Mas e se fosse possível virar um só novamente? O medo de que este um não me agradasse me arranca essa possibilidade. Apenas deixa-me voltar a meus fardos de sempre. O ciclo da desistência reciclada.

No fim, todos esses "eus" tem uma semelhança: nenhum consegue me tirar da solidão.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Desvio de percurso

Sempre há alguma incoerência nos pensamentos. Talvez, a única validade em tê-los, inicialmente, é tentar evitar essa incoerência. Tentar, mesmo que abruptamente, ser linear. Manter-se em uníssono com seus ideais.

O maior erro humano é pregar algo não feito por si próprio. Falar sobre ajudar o oprimido e desviar das muitas almas famintas encontradas pelo percurso. Não julgam-se hipócritas pois escondem-se atrás de palavras vãs. Vagas emissões de mensagens irrelevantes.

Causa-me grande irritação tais atitudes. Porém, posso pecá-las também. Não tenho a capacidade de afirmar que sou totalmente coerente. Prefiro chamar esses "desvios" de "aprendizado". Minha desculpa é essa. No fundo, entretanto, sou um hipócrita como todos. Só falta admitir.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Review: Soul Eater


A imagem aí em cima é de um anime que recentemente assisti, chamado Soul Eater(aposto que ninguém percebeu escrito ali em cima bem grande "SOUL EATER").

Então, a animação trata de um grupo de pré-adolescentes que estudam em uma escola comandada por ninguém mais, ninguém menos que a própria Morte(vulgo Shinigami-sama). Lá, eles são separados em dois tipos de "alunos": artesãos ou armas. Como se pode imaginar, no universo ficcional de Soul Eater algumas pessoas nascem com a habilidade de, literalmente, se tornarem armas dos mais diversos tipos.

A história foca-se em três personagens principais junto a suas armas. A primeira, Maka Albarn, é uma artesã de foice. Seu parceiro, ou seja, a foice, chama-se Soul Eater Evans, um cara auto-denominado "cool". O segundo protagonista da trama é Black Star, um ninja escandaloso e cheio de si que utiliza um arsenal de armas diferentes(todas com a temática do personagem) produzidas por sua parceira Tsubaki. O último do trio é o próprio filho da Morte, Death the Kid. O nome nada criativo esconde um ser perfeccionista cujo principal objetivo é tornar tudo simétrico. As parceiras de "Kid"(como é chamado), são Liz e Patti Thompson, duas garotas com personalidades conflitantes e a habilidade de se transformarem em revólveres.

Inicialmente, o principal é acompanhar as diversas "aventuras" do trio mas, posteriormente, vários elementos são adicionados à trama. O combate às bruxas(inimigas do Shibusen, ou seja, a escola) e ao Kishin(um humano consumido por medo e loucura, transformando-se em um demônio) fazem parte da figura geral do anime. Até existe um personagem inspirado no famoso Dr. Frankenstein, que faz o "papel" de um professor do Shibusen e têm problemas de controle emocional.

O desenrolar, não contado aqui, é interessante e com alguns "plot twists". Obviamente, como qualquer animação japonesa de certo sucesso, é inevitável achar clichês no decorrer dos 51 episódios de Soul Eater. Lutas com estilos semelhantes a Dragon Ball, CDZ, Bleach e Naruto(lembrando que os dois últimos já são cópias dos dois primeiros) são presentes nos capítulos. Além disso, ainda há uma certa "prisão" à ladainha do "poder da amizade" entre outras frescuras. Pode até ser bonitinho, mas com certeza já encheu o saco.

Destaco aqui, também, alguns pontos fortes. O estilo do desenho é relativamente diferente dos outros animes e confere um ar "Tim Burton" à série. Pessoalmente, achei legal fazer tal estilização diversificada e fora dos padrões. Outro fator único de Soul Eater é a utilização da "loucura" como uma espécie de antagonista. Mesmo gerada por um personagem específico(o Kishin, no caso), ainda figura como peça principal nos acontecimentos.

Concluo aqui minha "review". Para quem se interessar, cate lá no Deus GOOGLE para obter mais informações sobre este anime.

OUT!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Review: Ritual - Senhor das Trevas

Após ver um vídeo no youtube, fiquei horrorizado. Era uma apresentação de uma banda chamada "Ritual", com a música "Senhor das Trevas". Idiotice pura junto à falta de noção extrema.

Minha primeira impressão foi: "WTF? Isso só pode ser uma agitação que fizeram!". Caros leitores, não era. Pior, não era nem mais uma dessas bandas-paródias que surgem por aí tentando imitar o Massacration. Era, de fato, a junção mais aleatória de ritmos, timbres, palavras e qualquer outra coisa de cunho pseudo-musical que você possa achar por aí. Porém, o ápice dessa história foi quando descobri que a Ritual já está na estrada faz 23 anos. 23 anos fazendo merda, isso sim! ¬¬

Mas, vamos explicar por partes cada elemento que compôs tal majestosa "obra".

Vocalista: Lembram-se daquele colega excluído e fedorento que falava com, no máximo, uma pessoa que não fosse a própria mãe? Então, pensem no que ele seria no futuro...é, vocês acertaram, é o querido vocal da banda RITUAL (rima não proposital)! Juntem aos fatores anteriores uma péssima métrica para canto, timbre horrível e desafinado além da "habilidade" de criar letras escrotas com frases como "Você que sai na rua e não anda pelas calçadas...". Conclusão: nada de bom poderia sair desse cara.

Guitarrista: De acordo com o vídeo, ele é o Pepeu Gomes. Irei discordar. Vou me arrepender disso, mas talvez o Chimbinha tenha uma performance mais "exemplar" que esse cara. Inicialmente, olhei para a posição da guitarra dele: quase no pescoço. Que guitarrista de um suposto "metal" coloca a guitarra no pescoço? Nenhum, é óbvio! Isso sem contar o timbre dos riffs. Apenas uma distorção mal regulada e extrema que, aliada a tal "exímio" guitarrista, contribuiu para a criação de uma música tão horrível quanto "Senhor das Trevas".

Baixista: Nem vou perder tempo com esse aí. Ouvi o baixo, possivelmente, uma vez na música inteira, e ele estava fora de tom.

Baterista: Um tiozão que acompanhou as milhões de trocas de ritmo na música. Ele parecia ser o melhor da banda (o que não é grande coisa). O simples fato de ter 50 anos, parecer um nerd e tocar em uma banda tão ruim quanto essa já elimina qualquer qualidade que ele possa ter.

É isso. Deixo agora o link para que tirem as dúvidas quanto ao que escrevi e para formularem suas próprias opiniões. Boa sorte e que o SENHOR DA ETERNIDADE esteja sempre com vocês. ò.ó

Ritual - Senhor das Trevas (Legendado)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ame

Uma mentira nasce...ao longo do caminho ela se transforma em algo maior.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Obstáculos

No caminho não há espaço para felicidades completas. Apenas para as metades flutuantes de alegria. Invadem com intuito de iludir. Machucar.

As repetições em minha vida são previsíveis. Tentar e falhar. Conseguir atrair os defeitos alheios e, ao mesmo tempo, enaltecer os meus próprios. É miserável perceber a inconsciência que leva-me de volta ao amor pela melancolia. Destrói tudo que tracei e retorna às velhas tristezas de sempre. Os rumos sempre distorcem-se para mim.

No final, apenas descubro: não consigo lidar com as situações.

sábado, 26 de setembro de 2009

Os trechos do medo

"Andava rapidamente, desviando dos obstáculos. Atraído para a esquerda ou direita, nas beiradas da passarela. A mente urgia pela vida mas o corpo queria a queda. Lembro-me de pensar no meu sangue flutuando água abaixo. Ansiosamente, desci as escadas e esqueci tal pensamento."

"Desintragava a caminho de casa. Não o lar, mas a casa. Uma figura se formou à minha frente, seguindo o mesmo rumo despadaçado. A sensação boa me assustou. Atravessei a rua lentamente. Não haviam carros. Felizmente."

"O banho quente entediou-me. Cansado dos mesmos momentos, necessitei uma mudança. Inconscientemente, injetei mais água fria. Mergulhava em jatos repetidamente. Saí da ducha. Perceber o excitamento em ter a água quase entrando nos meus pulmões me abateu."

Não devo confiar em mim.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Um encontro noturno com a confusão

Eu disfarço e não entendo. Eu disfarço e compreendo. Sei da dúbia vida que levo. Sei do peso que carrego.

És um enigma, tão interessante. Não tive o tempo de decifrá-la, porém. Me concederá tal oportunidade? Não sei. Aí reside minha dor. Na insegurança. Na aposta pelo incerto. Tantas vezes falhei e sofri em meio dos mesmos motivos.

Confiarei, denovo? Talvez. Dê-me a razão para fazê-lo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sentimento de culpa

O tempo desintegrou-se. Eu observei, ou causei, tal fato?

A pergunta que restou

Aonde ir hoje à noite?

Vagar, vagar e vagar. Perambular pelas sombras em ruas sem iluminação. A atenção volta-se ao som do silêncio, destacado na escuridão. "Aonde ir hoje à noite?", torno a perguntar-me.

A Lua, escondida pelas nuvens, afasta-se de mim. A dúvida permanece junto ao frio noturno. Eu não sei aonde ir. Apenas sei o quão longe de casa estou. Deitado na minha cama, distante do meu lar. É um sentimento constante.

Fugiu sem dizer uma palavra. Nem pude questioná-la: "Aonde ir hoje à noite?".

Oscilações

Risos
Lamentos
Resmungos furiosos em meio de cantares serenos

Instável é aquele que é estável.

;D

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Abrir os olhos

São quilômetros e quilômetros. Percorridos em meses intermináveis. "Isto não está acontecendo comigo", penso. Mas está. E não irá parar. A distância aumenta e o sofrimento também. Não há identidade; há dor. E ninguém compreende; superarei sozinho, é o que me resta.

A paisagem repete-se e enlouqueço. Apenas olho pela janela e vejo a vida passando diante de meus olhos. Cada momento, cada lugar. Os bons e os ruins. Uma mão estende-se a meu peito e arranca, lentamente, as memórias. Estou esquecendo de tudo. Meu futuro não pode ser composto por lembranças.

Eternamente, estou indo embora.

domingo, 20 de setembro de 2009

O curso natural da vida

Deixou-a aqui, só. A criança abandonada na chuva, enquanto os transeuntes passam por sua apressada rotina. O choro, interminável, confundia-se com os pingos descentes. Olhava as mãos, levando-as à face do sofrimento. O pensamento focava-se na velha melodia suave do piano.
Os acordes menores completavam a música desenrolada na mente. Seria igual a todos. O tempo a moldaria. A dor de saber que ignoraria quem passasse pela mesma situação. Não disse uma palavra; levantou do chão. Apenas abandonou sua sombra, estática aonde estava. Cresceu, finalmente.

sábado, 19 de setembro de 2009

Máscara

Enquanto as chamas alastram-se pelas ruas, o desespero torna-se lei
"Salvarei a mim", murmuram em uníssono
Crianças deformadas; lágrimas de fogo
"Já estão perdidas", desculpam seu egoísmo
Observam os fracos em tormenta
"São eles ou eu", seguram suas posições
"Sou apenas humano. Não sou perfeito"

Não controlo a gargalhada
Observo as morais desmoronarem
A dor dos outros retira a minha
Enquanto transformo-me em cinzas
Contemplando a brasa
Satisfeito:
"Desculpem por ser verdadeiro"

Cozinhar. Ferver. Torrar. Essencial para ver a face crua do ser humano.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Meu caminho, talvez?

Superar.

Um verbo determinante para minha vida. Um motivo para ir além. Desprender-se do inútil e alcançar o objetivo final: sucesso. Qual seria este? Não sei. O tempo dirá. Enquanto isso, supero, a cada dia, os obstáculos impostos pela vida.

Passarei por cima dos problemas. Sejam eles pessoas ou não. Não terei discernimento. É importante focar-me em mim, apenas. Tentarei minimizar a dor alheia que tornarei a causar. Não posso prometer nada.

Não pretendo esperar a dor e o sofrimento chegar por outros seres. Estes problemas já me forneceram toda a negatividade que carrego. Uso-a sabiamente. Um meio para meu fim.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Reação

Impacto. Um solene momento de inversão de papéis. A tua tristeza e a minha indiferença. Possuí esse sentimento e nunca foste um consolo. Agora, faço o mesmo.

A luz apaga-se, novamente, à ti. As lágrimas vêm por bom motivo. Nada de lamentos por futilidades, como já o fez. Mesmo assim, não sinto a vontade de estender a mão. Sofra como sempre sofri.

No abismo diário, sempre urgi por teu apelo. Sangue do meu sangue, nunca fizeste nada. Tua vida importas à ti, apenas. Imitarei-te. É apenas justo.

Enquanto escalas teu caminho à uma nova vitória, fico no chão. Tens esperanças. Eu já as perdi.

domingo, 13 de setembro de 2009

Desfecho

Ontem, despertei a bondade em mim. Ajudei um amigo por momentos difíceis. Outro, ganhou o impulso para conquistar alguém. O resto recebeu apoio financeiro ou moral para passar a noite como deveriam: festejando.

Porém, enquanto todos viam suas alegrias à flor da pele, entornava bebidas e acendia um cigarro. Tentava achar um minúsculo espaço no ambiente para filosofar sobre qualquer coisa. O alcoól e a fumaça pairavam sobre os ombros. E a velha melancolia no olhar deslizava pela triste semana que tive. No canto, só, enquanto os outros, por aí, se divertindo. "Não fui feito pra festas", pensei. As almas me esqueceram ali, e minha disposição para procurá-las não existia. Sobrou apenas pensar no que poderia ter sido diferente nesta semana. Só lembrei de sair porta afora, sob a garoa fina, com gélida sensação de caminhar para o abismo. Caí.

Eu

cansei de tristezas.

sábado, 12 de setembro de 2009

À meu único e eterno sonho futuro...

Atacaste-me com tuas inseguranças. Teus problemas, descendo sobre mim como um machado. O sangue que escorre, então, observa a cena. Em prantos, continua a agir como uma lenhadora, cortando-me aos pedaços. A minha última expressão, um sorriso, revela o quanto significo pra ti. Não demonstras tua fragilidade, porém, percebe o engano do destino em fazer-nos cruzar acidentalmente em momento que pareceu mágico. Concluo, após análise: foi apenas coincidência. Arrastou-nos longe apenas para destruir. E agora, contribuo com tamanha devastação a simples revelação de que irei embora, novamente. O nosso futuro é agora meu, apenas.

"If you still care, don't ever let me know".

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Gravitação

As lágrimas escorrem ao rosto do sensível. As cenas o chocam. É totalmente influenciado pelo seus olhos, que abosrvem a falsidade do ar. A captam e transformam-na em comoção. A observação pela felicidade alheia.

Meus olhos não me enganam. A alegria mentirosa não me importa e suas representações causam nojo. São desvios da realidade. A amargura é mais interessante, a meu ver. Mais real e plausível. Podemos sentí-la a qualquer momento. A verdadeira expressão de um humano.

Não condenarei àqueles iludidos. Sonhem com seus contos de fadas. Criem expectativas para ardererem em frustração. É o que acontecerá. Faz parte da Física: a gravidade. Sempre puxa os pés para o solo, sem se importar com a dor que isso causará. Quanto maior a altura, maior a queda.

Terminar.

As chuvas condecoraram este fim de inverno. Foi-se, levando consigo os vestígios do sangue pulsante.

O chão frio e molhado das ruas acompanha tal roubo. O que resta é uma figura simples e fria. Um cenário morto. A semana o criou. Almeja a eternidade. Talvez, dê mãos comigo na caminhada rotineira. Ou, ainda, rejeite-me como tu o fez: transformou o passado em rancor, presente em frustração e o futuro...ah, o futuro. Não recebeu a chance que merecia, de viver o suficiente para ver um amor florescer.

Restam-me, agora, as murchas. Decoram a linha entre nós dois. O único espaço, tentado a inalteração, não existe mais. Tornou-se um pequeno canto de mente, inacessível. Tanto pelo gosto, quanto pela obrigação.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Snuff

Teus segredos, enterrados na minha pele, agora sangram. Transbordam a falsa inocência, abandonando-me a meus pecados. E o ar, densificado, é uma cela que criaste para mim. Sufoque-me.

Talvez, o amor inventado por ti era apenas uma camuflagem para a raiva. A vingança pelo passado. Mas, se era verdadeiro, não deixe-me saber disso. Fuja de mim, como sempre fez. Meu coração sombrio não se importará. E a solidão não te destruirá. Entregue-me ao meu destino.

Salve teu fôlego, eu não ouvirei. As tuas vergonhas não me interessam. Cuspa sua pena e quebre-se em minhas pedras. Após, fuja. Como sempre fez. Desista da luta e estraçalhe o que tivemos. Enquanto isso, eu desejo...

pelo dia em que não serás minha amiga e poderei, finalmente, te machucar.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

00:00

As esperanças, tão infínimas, escorregam para baixo do piso
"Adeus", acenam para mim, lentamente
O mesmo que dei à ti minutos antes
Enquanto a escuridão me invadia, suavemente

As sombras voltaram a meus ombros
A cantarolar seus lamentos intermináveis
E penso: "Aonde errei?"
Elas respondem:"Não foi você, desta vez"

Uma canção, em específico, chama minha atenção
Lenta melodia melancólica
"Aonde errei?", esbravejo.
"Errou por pensar demais", respondem-me.

"Pensar, em quê?". O silêncio...
"Em tentar ser perfeito no meio do falho".
"E ela?"
"Queria a falha que já não eras, mais".

O ser horrendo em mim manifesta-se:
"Talvez seja para melhor..."
Lembro-me dos tempos melhores, de criança.
Ser um lobo solitário era o sonho que sempre tenho.

23:33

E o fim chegou. Outra cicatriz para a coleção, apesar de mais funda do que outras. Não dormirei esta noite.

Um jogo. Um relacionamento em forma de xadrez complexo e frio. Os erros são constantes e apontam para um cheque-mate: o meu. O rei está por um fio, e os teus peões ja ameaçam decapitá-lo. Seria essa tua vingança?

Abandonei o jogo, apenas para retornar à ele meses depois. Voltei com mais força e garra, mas logo percebi que não fui feito para os tabuleiros. Cedeu algumas peças à mim, apenas para usar tal fato como motivo de vitória. Desgastou-se. É o que me diz.

Não é a mesma? Talvez não seja. Talvez seja eu o tolo que correu atrás do impossível, mesmo diante de todas as barreiras. Porém, mesmo iludido e apaixonado, não me transformarei num objeto, usado quando desejas. Ainda tenho algum orgulho nesta casca que chamo de corpo. E ele me traz indignação perante os acontecimentos. Confiei, novamente, na pessoa errada.

A tristeza maior é saber que ainda a amo. Desejar felicidade incodicional à ela. Algo de bom floresceu em mim, e me enoja. Não deveria querer nada para ela, e sim ignorar todos os fatos e levá-los ao esquecimento, como sempre. Como sempre fiz.

sábado, 5 de setembro de 2009

Conformado

O coração conformado esconde a latente escuridão dentro de si. Pulsa rapidamente, impulsionando o sangue a fluir de modo intenso. Uma sensação de adrenalina sem nenhum excitamento. É como me sinto ultimamente.

O ordinário dia-a-dia, desesperançoso, é acompanhado por tal sensação. Desespero e, logo após, uma tediosa calmaria. Parece-me um algo fugindo de dentro de mim ou, talvez, tentando entrar. Não sei dizer ao certo. O processo inteiro serve apenas para agonizar em reflexões sobre suas possíveis causas.

E é o que faço. Reflito muito até chegar a seguinte conclusão: meu corpo está lutando contra a indiferença, criando momentos de euforia para observar minhas reações diante dela. Provavelmente quer, também, uma mudança na minha atitude.

Não mudarei.

Não há motivos para desistir do modo miserável com o qual levo minha vida. As falhas são provas suficientes. Constantes transformadas em variáveis quando descubro as reais facetas do mundo ao meu redor. Grandes e pequenas frustrações construindo os meus 17 anos de vida. É o modo como decidi viver: conformado.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

...

O canto, pobremente iluminado, recebe meus joelhos com a frieza da madeira. O inverno se foi com algumas preces inacabadas, não cumpridas. Não soube direcioná-las. A indecisão entre ceticismo e crença é a culpada. Isento-me do pesar da frustração. Só por hoje, serei um vencedor. Espero, apenas, pelos calmos braços da derrtoa a abraçar-me...

sábado, 22 de agosto de 2009

As piores coisas acontecem com as melhores pessoas

Eu não sei o que dizer neste momento. Não consigo imaginar como te sentes. Tu, o melhor amigo para mim, em uma situação tão injusta.

A vida te traiu. É verdade. Desferiu um golpe pelas costas, abalando a estrutura da tua existência.
Te abandonou em um poço sem fundo. Felizmente, sei que voltarás ao topo, como sempre. És um guerreiro. Um exemplo.

Eu sei que ele se orgulhará de ti. Um filho com um futuro brilhante. Vai passar em uma federal e será um médico de renome. Ainda terei a sorte de dizer que te conheci. Tenho certeza.

Em todos esse anos de amizade, falhei quando mais precisou. Agora, distantes, queria estar aí. A mão amiga. As palavras de consolo e a força que eu gostaria de dar à ti.

Tento te contatar mas não consigo. Sou um desinformado(traindo minha "futura" profissão) quando deveria estar a par de tudo. Um fracasso de amigo, admito. O que me resta é escrever como me sinto aqui, tentando fazer algo para me sentir útil. Ainda assim, o vazio me impede de te alcançar.

Sempre será uma das melhores pessoas que tive o prazer de conhecer. Sou cético, mas acredito que teu pai está em algum lugar, olhando por ti. Se não estiver, tenha certeza que eu e todas as outras pessoas que se importam contigo irão. Sempre.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Everything changes into nothing

O tumultuado espaço de mentes criativas foi meu lar pela manhã. Apesar da absoluta falta de movimentação disponível lá, era bom ter aquele velho sentimento de "volta às aulas". Não se tratava de rever amigos ou aprender coisas novas, mas sim de ocupar o tempo.

As férias prolongadas pela "maldição do porco" transformaram o ócio em inimigo. As longas horas perdidas em sono revelaram-se improdutivas. A ausência de compromissos retiraram-me um pouco da esperança. Não sentia tanta ânsia pelo futuro.

Voltei para o aprendizado. Para os trabalhos e provas. Para os amigos, também. Infelizmente, ainda não voltei do vazio. Porém, isso é óbvio. Sempre estive lá.

sábado, 15 de agosto de 2009

Minha fuga

"Será que eu ficarei a minha vida toda a pensar: 'Você me levará daqui?'"

Um pensamento ecoando em minha cabeça. Será que aguentarei sozinho e acharei um caminho melhor? Aonde ele me levará?

Tantas perguntas, poucas respostas. Continuo vendo o mundo atráves dos olhos do desespero. Passam anos e anos de escuridão. A minha fuga ainda não aconteceu. Quando irei aonde eu preciso ir? Qual é o meu destino?

E você...será você aquela que me levará daqui? Eu espero que não. Deixe-me sofrer mais um pouco. Prometo que o encontrarei: meu caminho. Para lá escaparei. Até você me levar.

Vou desintegrar em seus braços. Não me importarei mais, se puder cumprir meu destino. Após, sou seu. Inteiramente seu. Agora, será que isso acontecerá ou ficarei apenas a pensar?

Leve-me quando o tempo for certo. Morte.

Pausa para o amor...

Almas afogadas em um mar de carência necessitam expressar suas fúteis emoções. "Te amo" é a frase banalizada do século XXI.

Não precisamos de meses de conhecimento mútuo. As primeiras impressões parecem ser as importantes. E únicas. Todos pulam do "gosto" e "adoro" direto para o "amo". Obviamente, não percebem o quão superficiais são quando emitem de maneira errada tal sentimento. Este, aclamado no passado, torna-se sem significado. Vazio.

Não há mais impacto nas palavras. A sentença que fazia os corações palpitarem ao ponto do infarto foi destruída pela nossa geração. Ouvimos com descaso a mesma. Transformou-se em descartável e, estupidamente, reaproveitável. Ainda, não é útil. Não mais.

O amor perdeu a força. Garotas de 12 anos se amam. Recém-conhecidos se amam. Todos se amam e, mesmo assim, não entendem isso. Sentimentos não podem ser compreendidos, é verdade. Porém, esse "novo amor" não pode nem começar a ser analisado. E, sinceramente, nem deveria. Joguem-no fora e recuperem o "verdadeiro amor"

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Untitled: Capítulo 2

O Monte Fuji me observava lutar pelo deserto. A sua imponência não havia mudado no "novo mundo". Continuava a ser uma figura respeitável na paisagem.
Andei muitas luas. Sobrevivi com os suprimentos adquiridos dos destroços das antigas lojas japonesas. Felizmente, talvez, a falta de outras almas sem destino como eu tenha tornado desnecessário o grande esforço pela procura de comida. E bebida, obviamente. Munido de um Jack Daniel's pego em uma prateleira de um estabelecimento qualquer, era essencial manter-me acordado com suas doses alcoólicas. Nem me preocupava quando alcançava os últimos goles. O Japão tem muitas cidades para abastar-me de whiskeys.
Apesar de ter aprendido a não estranhar-me com quaisquer situações, essa particularmente o fez. Notei a presença de um valete de ouros no chão. "O que tal carta faria perdida no meio do deserto?" O Nada, rapidamente, girou ao redor do meu ser. Mirei norte, sul, leste, oeste e ao Nada. Ninguém. Recolhi a carta do solo arenoso e apressei o passo. O momento era de tensão.
O problema começou quando ouvi algo se aproximando rapidamente. Era algum animal, provavelmente. Um quadrúpede com pêlos negros e cinzas, misturados. A face felina e pernas finas. As orelhas para cima, saltando para fora de uma juba semelhante a de um leão. Percebi a trilha de ouros, espadas, paus e copas que o acompanhavam. Rapidamente, saquei um dos revólveres e dei um tiro certeiro, no suposto "coração" do animal. Deitou-se, gemendo. Senti uma sensação de tristeza vendo tal criatura padecer em minha frente. Infelizmente, era eu ou ele.
Segui minha curiosidade. O rastro feito de um baralho levou-me a algo surpreendente: um corpo. Estava morto há alguns dias, deduzi. Fiquei abismado em achar um ser sobrevivente do Evento como eu. Talvez ele tivesse sido tão pacato quanto eu. Deus o poupou. Não. O Evento o poupou. Mesmo assim, sobreviveu o suficiente para ser morto por um dos híbridos. "Seu destino não era viver", pensei. Somos tragados para o além eventualmente. Passar ileso dos "23 minutos" não significa vida eterna. Esse corpo é a prova disso.
O Nada fez suas constatações usuais. Entediei-me com os "blá blá blás" sobre a ausência de sentido pós-Evento e a irrelevância de acharmos um corpo após tanto tempo sem ver um "humano". Já sabia disso. Apenas repeti tal fator, compartilhando-o com meu único amigo.
A escuridão se aproximava, derrubando minhas forças. Resolvi descansar pela primeira vez em dias. Odeio ficar parado em um mundo congelado como esse. Mas, agora, o cansaço me derrotou.
Sonharei com mais um amanhã. Sinto que a maré está para mudar.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Untitled: Capítulo 1

A visão confortou-me, finalmente. Sentado na caixa d'água do prédio mais alto de Tóquio, vi as estrelas pela primeira vez em anos. Não que estes importem, deixei de contar o tempo desde que aconteceu. O Evento.
O céu estrelado sempre esteve lá. Não o enxergava pois olhava, apenas. Foi no ritmo noturno acompanhado pelo eterno silêncio que adormeci. "Amanhã será um novo dia", pensei. Estúpido. Os dias são iguais e, como já mencionei, o tempo não faz mais sentido. O maldito Evento apagou sua importância da face do, agora, vago deserto que chamo de "casa".
Foi no sono que lembrei-me de meu grande amigo: o Nada. Um companheiro eterno com qual tenho uma relação conflituosa. Lutamos por nossas dignidades, provando, um ao outro, o próprio valor. Geralmente não nos entendemos e decidimos ignorar a presença do outro, inutilmente. Acabamos voltando sempre ao mesmo ponto: somos o resto; devemos nos unir.
A manhã seguinte foi de reflexões. Perguntei ao Nada sobre como prosseguir. Respondeu-me como sempre, com indecisões. Nem posso reclamar de suas respostas, pois são minhas também. Queria ignorá-lo mas, através de experiências passadas, sabia que tal ação se mostraria ineficaz e improdutiva.
Decidi vagar pelas ruas da cidade, em busca de algo. O Nada fielmente me acompanhou, demonstrando seu ar apático usual na caminhada. Tóquio está irreconhecível. Carros vazios, luzes apagadas. Prédios tombados ou desmoronando. Alguns poucos aguentando, na tentativa de manter o antigo visual da cidade. Eu, porém, observo tudo com indiferença. Não conheci a antiga Tóquio, nem sou daqui. Andei muito desde o Evento. Percebi, finalmente, que era o lugar mais seguro para se passar o resto dos meus inúteis anos. Entretanto, de nenhuma maneira esquecerei meus dois revólveres. São os filhos encontrados em uma viagem ao Texas, alguns meses após o Evento. Engraçado, mesmo sem perceber, minha memória armazenou o tempo dos acontecimentos mais importantes "pós-23 minutos". Chame de pós-Evento, se quiser.
A temperatura do inverno japonês agora beira aos 38ºC. Suficiente para sentir frio. Visto meu casaco estilo "faroeste" e coloco o chapéu para proteger-me do sol. A medida que me afasto do quê um dia foi chamado de civilização, termino minha vestimenta com um lenço tapando a boca e o nariz, a fim de evitar a entrada da areia, componente do novo "chão".

Untitled: Introdução

"Nunca pensei no nada. Ele não era digno de mim, ou eu dele. Hoje, mudo meu pensamento. Neste mundo desértico em que vivo, meu maior companheiro de longas viagens. Isto é, até encontrar alguma alma compartilhadora de meus vazios sentimentos. Bem aqui, no nada."

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Em fragmentos de ser...

Algumas perguntas devem permanecer na nossa mente. A ausência da resposta pode fazer toda a diferença. Mesmo quando ela já é conhecida pelo próprio instinto. Ainda assim, não devemos nos dar ao luxo de fazer tais questionamentos.

Provavelmente, o pior fator é saber que o sofrimento do saber é culpa sua. Se não fosse um idiota e fraco, não teria passado por isso. Não teria sofrido por ser um estúpido hipócrita. Um egoísta. E ainda diz-me que sou merecedor. Não sou.

Achei ser uma frustração para algumas pessoas, mas percebo que sou para todas. E não irei aprender com os meus erros. Eles são parte de mim. E eu, sou parte deles.

Yasou Kyoku

O céu, antes azul, opaca-se num tom cinza. Desesperado e morto pela poluição e anúncio de chuva, o paraíso foge de sua antiga definição. Anjos caem na grama, antes verde, na falha tentativa de fuga da opacidade celeste. Levantam-se machucados para verem flores mortas. As poucas vivas são pisadas por crianças, adolescentes, adultos e idosos. Não vêem a vida alheia, preocupando-se apenas com a própria. O marrom é o novo verde. Ninguém nota a diferença na "nova" grama. Nas "novas" flores. Divertem-se distraídos. Eternamente distraídos. O inferno subiu para a terra e todos agem como se esse fato não existisse. Até o Sol, estrela guia, foi escondido no cinza-celeste, a "nova" cor da humanidade. Tantas "novidades" perdidas em um mundo amaldiçoado e destruído. Pergunto-lhes: Quem gostaria de viver nesse mundo monocromático? Analisando tudo isso, minha desesperança parece insignificante, mas justificável, ao menos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A verdadeira companheira

A solidão está em meu caminho. Sento-me ao lado dela, similar a um amigo há tempos esquecido.
Uma música leve completa o clima da conversa. O assunto: eu. É a única companheira para debater sobre esse tema.

Me acompanha quando saio de casa, à noite, após ter brigado com minha família inteira. O ar frio da noite tem seu cheiro, obrigando-me a perceber sua presença. Me proporciona uma sensação de conforto à medida que atravesso as ruas, distraído da presença alheia de qualquer pessoa. A caminhada dura 20 minutos, suficiente para um "papo" rápido.

Na volta para "casa", encontro meus pais, olhando para mim. Não falam nada, simplesmente notaram minha presença pelo barulho que fiz ao abrir a porta. Vou para o quarto. Não falo com ninguém. Me distanciei do mundo e ele fez questão de fazer o mesmo. Minha família pouco se importa com meus sentimentos. Já estou conformado.

Ela volta para mim, madrugada adentro. Provavelmente continuará comigo pelo resto dos tempos, não sei dizer. Não é a solidão de não ter ninguém, e sim a de perder aqueles que importavam. Amigos separados por quilômetros. Família auto-destrutiva.

Não tenho espaço para futuros esperançosos. Cansei deles. Não vou mentir para mim. É ruim e terei que suportar.

A música leve termina e acabo de escrever meus lamentos aqui. É terapêutico fazê-lo, mas não me proporciona nenhuma alegria. É apenas algo que sinto que devo fazer. Apenas.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Entender é complicado...

Desculpem-me às que possa ter enganado anteriormente, mas é um sentimento novo pra mim: Paixão ou amor?

Difícil de definir.







Pelo menos é novidade ;D

Epílogo

Superficialidade gerada por um indivíduo não mais humanizado. Frieza determinada pela vivência, agora irrelevante. Processos mecanizados de vida padronizada. Não. Vida despadronizada em meio da positividade e negatividade elevadas. Vazio gerado pela indecência comportamental do ex-indivíduo humanizado. Não é mais indivíduo. No momento, indíviduo se torna máquina de funcionamento repetitivo. O pouco restante das mentalizações procura por refúgio. Longe das massas inúteis. O próprio se considera inútil para seu desenvolvimento. Viverá. Morrerá. Simplicidade comportamental. Humanidade aplicável, visto que o organismo continua o mesmo, independente da frieza interna. Os vermes virão. O esqueleto se tornará pó. E assim, continuará, o mundo, a girar. Sem perceber a perda de outra vida.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Desabafo em um dia sem sol

Todos são fracos. Míseros. Não passam um segundo sem reclamar sobre qualquer coisa. Só pensam em seu crescente ego. Seus problemas. Sua vida. Mesmo assim, querem a ajuda de outros. Nessa individualização, cada um protege o que é seu.

Então, por que eu tenho que ser forte? Não posso ser fraco como todos? Não. Fazem-me preocupar-se com os outros. Educação de família: "Ajude o outro para ele te ajudar". Mas isso não acontece. Ninguém se presta tentar entender os MEUS problemas. Obviamente, talvez pensem que, por ser forte e "seguro", não precise de uma "mãozinha" de vez em quando.

Ninguém é de ferro. Muito menos eu. Porém, ao contrário dos "eternos problemáticos", manifesto minhas inseguranças com a apatia e a frieza. Na espera, inútil, de alguma ajuda alheia. Nunca acontece. Tanto por falta de vontade dos outros como a minha falta de confiança nos mesmos. Nos dias de hoje, acreditar em qualquer coisa(aqui, "coisas" incluí "pessoas") é motivo para ser chamado de "imaturo", porque "a vida é cruel", explicando meu comportamento de deconfiança.

Eu sei que a tal "luz no fim do túnel" está a anos-luz de mim. Não vou cobrar a boa-vontade de ninguém, prefiro alimentar esse ser "de pedra" em mim. Talvez eu me torne alguém que realmente não necessite de outras pessoas. Ou talvez eu seja um "eterno problemático" e não houve alguém para jogar isso na minha cara.

domingo, 26 de julho de 2009

Partir...

Não foi o "adeus" perfeito. Ou, melhor, não foi o "até mais" perfeito. Não foi perfeito de maneira alguma.

Os meus lábios secos e salgados, hesitando te beijar. Me sentia horrível. Estava beirando um abismo, sem volta. Me lancei sem pensar duas vezes. Tudo para me arrepender. O tempo não volta, infelizmente.

O caminho de volta foi de pensamentos. "Me ama. Por quê?" Não cheguei à resposta alguma. Me considerei o pior dos piores. O último colocado em uma competição de apenas um participante: Eu. Não fiz nada que merecesse o amor de ninguém. Fui distante e racional. Não me entreguei a sentimento algum, por medo.

Agora, novamente, trancado na cidade grande. Me arrependo, enquanto os dias passam devagar. Cada um especialmente envolto em um mar de ócio. E eu, ali, me afogando lentamente...

Queria voltar o tempo...não posso. Fui imaturo. Deveria ter cedido. Não posso ser de pedra o tempo inteiro. Tu sabes que merece muito mais do que eu ofereci. Algum dia vou te recompensar por isso, se não for muito tarde...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Para Alguém Importante

Eu sei que sou uma frustração. Não precisa dizer nada, seu olhar revela esse sentimento. Cada noite, durmo com a sensação. De ser essa frustração para ti. Penso que se fosse me modelar, o faria diferente. Desculpe-me, o tempo já passou, muito rápido, até.

Não sei o que espera de mim. Sou apenas eu, não é suficiente? Não. Espera que eu mude. Ou, ainda, revele que sou totalmente diferente. Vãs esperanças, digo-lhe. O que você tem é o que vê. Do meu jeito, a tendência é piorar. Afinal, és o próprio motivo pelo qual me desespero.

Talvez seja injusto colocar assim. Te crucificar. Não quero que me entenda errado, pois nunca deixarei de te respeitar e admirar. Faz parte do meu papel. Mas, não posso, em nenhum momento, te isentar dos teus pecados. Mesmo sabendo minha parcela de culpa, não vou te isentar.

Se irrita comigo? Têm motivos para isso. Não sou santo e, apesar de ter amargurado nos últimos tempos, também não sou nenhum demônio. Virei até um tanto insensível, como aponta. Admito. Vejo as coisas mais racionalmente porém, nesse aspecto, somos semelhantes.

Espero pelo dia em que possamos nos entender.
Espero, ainda mais, pelo dia em que não me sinta uma frustração para ti.

domingo, 12 de julho de 2009

O Som

Um simples som parou o mundo. Sua emissão ecoava pelos mais distantes pontos, enquanto os seres, estáticos, contemplavam sua totalidade. Não havia maneira de encontrar a origem que causava o momento presente. Um silencioso entusiasmo coletivo.

Um deles, porém, voltou-se contra a massa. Não aguentava a manipulação que o som exercia. Era único mas não tinha voz suficiente. Mesmo assim, apostou na sorte. Rebelou-se. Era o correto a fazer, para um "não-conformista". Concordava com o sombrio cenário, que urgia pela auto-destruição. Ambos concluíram que a surdez seria melhor do que aguentar aquela megalomania.

O silencioso entusiasmo era previsível. Dar algo em troca de obediência. Essa sensação era o "algo". Congelados no tempo, todos não se importavam. Ignoravam a conformidade em que se encontravam.

Mas aquele, entretanto, pingava seu sangue pela devastação. Pensou. Um mundo sem nada não terá o som. O cenário, lamuriando, não ia resistir muito. Era óbvio a sua missão: acabar com o momento, pra sempre.

Tentou, então, atentar. Jogar algo de grande porte em algum lugar importante. Destruição na certa. Após certo esforço, conseguiu. Um edifício caiu.

Então, o mundo voltou. Agora, o som direcionava todos contra aquele, que, um dia, havia sido diferente. Morreu, mas levou o cenário com si. Tentou mudar e conseguiu, levemente, pequenas alterações.

O som ecoou, mais uma vez. E todos, até hoje, alienados pela sua mais cruel definição.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Uma epopéia militar

O dia não raiou hoje.

Levantei-me da cama, ainda estava escuro. Esperei pelo momento em que o sol faria seu show matinal. Não aconteceu. O dia se conformou em ser liderado por uma chuva fina e fria.

Meu pai fez as honras. Levou-me até o destino pré-escrito por um maldito papelzinho. "10/07/2009, às 7:00". Amaldiçoaria o momento em que ganhei este pedaço de desgraça mesmo sabendo que de nada adiantaria.

Cheguei lá. Uma fila. O nervosismo misturado com a raiva crescia em mim enquanto as pessoas se moviam. Ao me aproximar, entreguei o certificado(em péssimas condições) para um "querido" militar com cara de neo-nazista. A pergunta feita por ele foi ridícula: "Teve contato com alguém com gripe suína?".

Vamos analisar essa pergunta: 1º: Como saber se eu tenho gripe suína? 2º: Se eu sei que tenho, porque não estou no hospital? 3º: Existe alguma maneira não estúpida de responder com "sim"?
É óbvio que não. E essa foi a minha resposta: NÃO.

Prossegui. Tomei vários "chás de banco", alternados entre testes bestas(como tirar medidas e responder perguntas ridículas). Alguns momentos me marcaram. Em específico, um que poderia ter me irritado.

Gastei muito tempo tentando parecer "normal". Meu cabelo é geralmente bagunçado, então atrairia atenção dos, ja mencionados, "queridos" militares. Fiz esforço para ficar o mais "apresentável" possível. Nada de exageros nas clothes ou no hair. Mesmo assim, tenho que ouvir um "E esse cabelo?" de um pseudo-dentista camuflado! Eu mereço tamanha atenção?

Felizmente, não foi um fator determinante para os ocorridos. Na sequência, colocaram-me junto de outros três marmanjos em uma cabine semi-aberta. Nela, passei momentos de tensão silenciosa. Além de responder mais perguntas toscas, tive que ficar só com a roupa íntima e, por um breve momento, sem roupas. Seria vergonhoso se não fosse tenso. Muito tenso.

Após uma análise do pseudo-médico(irei exagerar nos "pseudos", não reclamem), fui mandado para um assento divido por poucas pessoas. Passei muito tempo ali, vendo pobres almas em outros bancos recebendo uma "palestra" de como levantar uns pesos que estavam no chão, usados para medir a força dos futuros "recrutas". Em um momento, uma figura sentou-se por perto. Era amigável, ao menos. Contou-me que não passou por exames fisícos, sendo(misteriosamente) "liberado de servir" pelo pseudo-dentista engraçadinho. Após algum papo furado, fomos todos chamados a um outro local.

Chegou um oficial de patente superior, sabe-se lá qual seria essa. Explicou que estavamos dispensados e que teríamos que passar por algumas burocracias estúpidas. Não prestei muita atenção, tentava disfarçar o sorriso e a alegria que se escondiam por trás daquela notícia. Aguentei mais um pouco para receber uns documentos. Saí de lá, peguei o ônibus e voltei para casa.

O resto do dia foi dedicado a comemorar o fato. Entretanto, o último momento antes do sono foi reservado a relatar-lhes, aqui, esse conto de "bravura e heroísmo", em uma singela sexta-feira.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Escudo lunar

Cansado de eras ignorantes, eu ando pelos mesmos lugares. Colecionando tragédias, ainda. Ambições vazias em uma mente vazia me fazem carregar tudo para as colinas.

Como eu desejo a volta do fogo e da dança, dentro do mais profundo pôr-do-sol. O vento que sinto rouba-me as cores. Ali, parado, quero e sou. O escudo lunar.

Esperança quebrada, sofrimento e dor. Amigos e guias para uma vida. Esta, declarada por um pacto de sangue, terminada pelo silêncio.

Como eu desejo a volta do fogo e da dança, na cor nectarina do entardecer. O vento que queima retira-me as cores. Eu as roubei. Ali, parado, espero. Pelo escudo lunar.

Ali, tentando alcançar, lembro-me. Aqueles dias em que o escudo lunar brilhava sobre nós.
Ali, em chamas, lembro-me. Aqueles dias em que o escudo lunar anunciava um mundo só.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Confissões para um horizonte

Lembro-me de dias, tardes e noites, olhando o horizonte através da sacada do 10º andar. A sensação de liberdade e busca de algo, mesmo desconhecido, tranquilizava os dias mais difíceis e tristes. Podia estar de pé, sentado, com ou sem companhia. A sensação não mudava, era eterna.

Sinto saudades daquela sacada. Talvez não da sacada em si, mas da vista que ela proporcionava. Era simplesmente linda. A cidade, um pedaço do campo e o horizonte, cobrindo o restante do cenário. Imaginava que seria impossível achar alguma visão que pudesse competir com aquela e, até este presente momento, continuo correto nessa afirmação.

Muitos anos se passaram. Nunca mais vou ver aquela sacada, ou aquela vista. Foi-se o tempo de me afundar em pensamentos por horas e horas enquanto olhava o planalto rio-grandense. Agora tudo que tenho são prédios e prédios, por todos os lados. Até o simples ato de abrir a janela e vê-los me enoja.

É horrível confessar que abandonei um mundo em troca de outro. Mesmo sabendo que aquele mundo que eu conheci não existe mais. Ele mudou. E eu prossigo aqui, sem poder olhar para fora, trancado na solidão da cidade grande.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Retorno

Estou te procurando. Olho pela janela e penso: "Aonde te escondes?" Não há resposta. Me ignora. Aparece apenas quando lhe convém. Não possui consideração por mim?

Não. Musa criada por uma alma perturbada, não és pessoa nem objeto. Talvez seja um pensamento mal formulado. Ou, ainda, uma mentalização complexa.

Continuo a procurar-te. Em cada esquina, sinto tua fraca presença. Não posso afirmar que ali se encontra a tua essência. A tua influência sobre mim. Em minha vida pré-determinada, é apenas ela que me importa. Essa influência.

Revigora-me, agora! Obrigo-te a aparecer. Afasta-me do vício pela melancolia. Cansei de doses densas e lamuriosas. Cansei do vazio que enche o copo e acompanha a ressaca. Cansei. Então, dê-me uma injeção de ânimo, pois esta fará a vida ser mais tolerável. É teu dever convencer-me de que existe um pós-sofrimento, algum tipo de éden, nem que seja efêmero.
Prefiro que minha felicidade se distribua em alguns poucos momentos. Não a quero ausente. Me apego a esses momentos até o fim.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

À Sombra

À sombra, uma sombra
Procurando esquiva

À sombra, um ser
Procurando companhia

Encontram-se, à sombra
A sombra e seu refúgio:
O ser sem escrúpulos

Estiveram sempre juntos

"Au!"

O rei do pop morreu hoje.

Nos últimos anos, os alvos da "ceifadora de almas"(ou, nesse caso, "ceifadora dos tablóides") são celebridades polêmicas. Esse maldito fato só pode ser culpa do (pobre) senso de humor da Dona Morte. O que há de bom em tirar o dinheiro da RedeTv e afins? Sobre quem eles vão falar agora?

Todo mundo sabe que Britney e Amy são papo do passado. Coisa batida. A primeira já se consolidou como uma maníaca que usa perucas. E a outra, que já está em vias de morrer, perde seu pouco tempo restante com drogas e alcóol.

Enquanto essas duas entram em processo de auto-destruição, os jornais noticiam a morte do Mike. É, o querido mentiroso mor, rei das plásticas, dentre outras coisas(que não serão comentadas aqui) se foi. 50 aninhos, apenas. Uma vida de polêmicas pela frente, barradas pela ironia do destino. Me sinto indignado com isso. Mesmo não conseguindo ouvir uma música sequer dele sem me sentir invadido por 1000 leprechauns comedores de cerébro, me sinto indigando. Uma figura como Michael Jackson é única. O rei do pop merecia uns 15 anos a mais de vida, no mínimo. Não acham?

Uma coisa é certa, a Morte não acha.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Devaneios noturnos

A chuva cai lentamente pela noite. Novamente, sou invadido pelo melancolismo da água batendo na janela. Estou seco, apesar de sentir como se estivesse no centro da tormenta, atormentado por pecados trazidos pela escuridão descente. O espaço em que estou se tornou negativo pela presença da chuva.

A noite prossegue e continuo perdido na negatividade. Sinto como se estivesse em uma dimensão paralela, formada pelos pensamentos mais obscuros e abismais. A atmosfera é densa, e o mundo ao redor de mim desaparece, pedaço por pedaço. Fixo meu olho em um ponto que se desintegra conforme me afasto da realidade. Agora vejo um quadro seco, não fantasioso, de uma vida. Seria essa a "real" realidade?

Decifro aos poucos o que isso poderia significar. Em um local desprovido de felicidade, imóvel e imutável, tentativas de melhoras são inúteis. A realidade que vejo é, por essência, deprimente, e o homem tenta, miseravelmente, reverter essa situação. Os que alcançam algum sentimento de realização são iludidos por insignificâncias cotidianas. E, por outro lado, os que não tentam estão fadados, assim como eu, a se desencontrarem com o lado positivo da vida. Se é que ele existe.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Introdução

Bem-vindos!

Este blog foi criado com o objetivo de expor minhas opiniões sobre os mais variados assuntos. Aqui vocês econtrarão resenhas sobre filmes, séries, músicas e outros. Vou tentar dosar o blog com um pouco de humor, sem deixar de lado as notícias consideradas "importantes". Espero que vocês curtam tudo que o "Clockwork Trigger" tem a oferecer.

Apenas deixem o tempo fluir...

Por Leonardo A. Pietrowski - "Headmaster" do blog.