Sempre está lá. Esperando a minha descida. O momento em que me tornarei sua parte. Estarei a sua mercê e serei seu obediente servo, na queda interminável.
Cada segundo é uma eternidade. Os primeiros, então, estendem-se através do infinito. E eu seguro o grito e observo a imensidão. A escuridão. Mas o fundo, ah, o fundo, não posso enxergar. Não está lá. Talvez nunca esteja e ficarei a cair e cair.
As vozes ecoam de forma abafada. Não sou a primeira alma e nem a última. Sou apenas uma das muitas que passarão por aqui. E todas terão o mesmo fim. Esquecimento. Ostracismo. A diferença não transcende o significado. Seremos, todos, lançados à histórias perdidas, para sempre apagados da memória. Abstraídos, apenas.
Não há distinção ou especifícação. A queda não diferencia os seres, portanto, sujeitos ao mesmo fim inevitável. As mesmas diferenciações não afetam as reações. Se berram, choram, esbravejam ou riem, o resultado é equivalente ao já definido. Por isso, permaneço indiferente e aguardo o inexistente fundo.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
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