terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O Abismo

Sempre está lá. Esperando a minha descida. O momento em que me tornarei sua parte. Estarei a sua mercê e serei seu obediente servo, na queda interminável.

Cada segundo é uma eternidade. Os primeiros, então, estendem-se através do infinito. E eu seguro o grito e observo a imensidão. A escuridão. Mas o fundo, ah, o fundo, não posso enxergar. Não está lá. Talvez nunca esteja e ficarei a cair e cair.

As vozes ecoam de forma abafada. Não sou a primeira alma e nem a última. Sou apenas uma das muitas que passarão por aqui. E todas terão o mesmo fim. Esquecimento. Ostracismo. A diferença não transcende o significado. Seremos, todos, lançados à histórias perdidas, para sempre apagados da memória. Abstraídos, apenas.

Não há distinção ou especifícação. A queda não diferencia os seres, portanto, sujeitos ao mesmo fim inevitável. As mesmas diferenciações não afetam as reações. Se berram, choram, esbravejam ou riem, o resultado é equivalente ao já definido. Por isso, permaneço indiferente e aguardo o inexistente fundo.
Existem sempre muitos motivos para a tristeza.

A morte da atriz favorita. A morte do baterista da banda favorita. A morte do respeito aos ídolos. A morte da disposição física. A morte do bem-estar diário. A morte do bom senso dos parentes. A morte da generosidade do irmão. A morte da segurança própria.

Como posso disfarçar a tristeza?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Redenção e Recomeço

O canto escuro envolvia a alma acorrentada pelas derrotas. Tantas, que cultivava-as em forma de memórias prezadas. Os "princípios" que definiram cada passo propositalmente atrasado. Cuidado? Não. O medo; a companhia e a espada que empunhava. Lutas inicialmente terminadas; ausência de motivos. Frágil e perdido; o céu acinzentado era o refúgio da realidade. "A luz enganará a todos".

De qual brilho falava? Certamente, segurava-se à beira do abismo. A visão ainda lhe propiciava a sanidade, embora pouca. Mas era ignorante; nem todas as luzes reveleram-se à ele. Estava submerso. Anos submerso. E distorciam-se os olhares. Ou simplesmente desapareciam.

A vontade. A bravura. A esperança. O retorno. Tornaria a desapegar-se do erro. A paixão pela melancolia desintegrava. Era outra paixão. Não seria direcionado, mas sim ateado, pela luz. Salvação? Sim.

Redenção e recomeço.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Sem saco pra títulos idiotas

Desculpem-me leitores, mas isso sera extremamente informal:

Porra, to realmente cansado. O ano terminou, finalmente. To com as paranóias de sempre e não aguento mais isso. Queria parar de me preocupar tanto e simplesmente ser feliz. Mas não dá. Quando tudo se acerta, algo parece errado. E eu não sei o que é. Sinceramente, não sei. Sei que a minha individualidade ta se perdendo, e eu odeio isso. Cansei de malas dizendo como devo ser ou agir. Quero ser mais independente e mandar um monte de gente se fuder. É só um desabafo mesmo, e pode ser até efeito do remédio que tomei mais cedo (?). Espero melhorar, porque essa angústia ta meio chata demais.

That's it.