terça-feira, 30 de junho de 2009

Confissões para um horizonte

Lembro-me de dias, tardes e noites, olhando o horizonte através da sacada do 10º andar. A sensação de liberdade e busca de algo, mesmo desconhecido, tranquilizava os dias mais difíceis e tristes. Podia estar de pé, sentado, com ou sem companhia. A sensação não mudava, era eterna.

Sinto saudades daquela sacada. Talvez não da sacada em si, mas da vista que ela proporcionava. Era simplesmente linda. A cidade, um pedaço do campo e o horizonte, cobrindo o restante do cenário. Imaginava que seria impossível achar alguma visão que pudesse competir com aquela e, até este presente momento, continuo correto nessa afirmação.

Muitos anos se passaram. Nunca mais vou ver aquela sacada, ou aquela vista. Foi-se o tempo de me afundar em pensamentos por horas e horas enquanto olhava o planalto rio-grandense. Agora tudo que tenho são prédios e prédios, por todos os lados. Até o simples ato de abrir a janela e vê-los me enoja.

É horrível confessar que abandonei um mundo em troca de outro. Mesmo sabendo que aquele mundo que eu conheci não existe mais. Ele mudou. E eu prossigo aqui, sem poder olhar para fora, trancado na solidão da cidade grande.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Retorno

Estou te procurando. Olho pela janela e penso: "Aonde te escondes?" Não há resposta. Me ignora. Aparece apenas quando lhe convém. Não possui consideração por mim?

Não. Musa criada por uma alma perturbada, não és pessoa nem objeto. Talvez seja um pensamento mal formulado. Ou, ainda, uma mentalização complexa.

Continuo a procurar-te. Em cada esquina, sinto tua fraca presença. Não posso afirmar que ali se encontra a tua essência. A tua influência sobre mim. Em minha vida pré-determinada, é apenas ela que me importa. Essa influência.

Revigora-me, agora! Obrigo-te a aparecer. Afasta-me do vício pela melancolia. Cansei de doses densas e lamuriosas. Cansei do vazio que enche o copo e acompanha a ressaca. Cansei. Então, dê-me uma injeção de ânimo, pois esta fará a vida ser mais tolerável. É teu dever convencer-me de que existe um pós-sofrimento, algum tipo de éden, nem que seja efêmero.
Prefiro que minha felicidade se distribua em alguns poucos momentos. Não a quero ausente. Me apego a esses momentos até o fim.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

À Sombra

À sombra, uma sombra
Procurando esquiva

À sombra, um ser
Procurando companhia

Encontram-se, à sombra
A sombra e seu refúgio:
O ser sem escrúpulos

Estiveram sempre juntos

"Au!"

O rei do pop morreu hoje.

Nos últimos anos, os alvos da "ceifadora de almas"(ou, nesse caso, "ceifadora dos tablóides") são celebridades polêmicas. Esse maldito fato só pode ser culpa do (pobre) senso de humor da Dona Morte. O que há de bom em tirar o dinheiro da RedeTv e afins? Sobre quem eles vão falar agora?

Todo mundo sabe que Britney e Amy são papo do passado. Coisa batida. A primeira já se consolidou como uma maníaca que usa perucas. E a outra, que já está em vias de morrer, perde seu pouco tempo restante com drogas e alcóol.

Enquanto essas duas entram em processo de auto-destruição, os jornais noticiam a morte do Mike. É, o querido mentiroso mor, rei das plásticas, dentre outras coisas(que não serão comentadas aqui) se foi. 50 aninhos, apenas. Uma vida de polêmicas pela frente, barradas pela ironia do destino. Me sinto indignado com isso. Mesmo não conseguindo ouvir uma música sequer dele sem me sentir invadido por 1000 leprechauns comedores de cerébro, me sinto indigando. Uma figura como Michael Jackson é única. O rei do pop merecia uns 15 anos a mais de vida, no mínimo. Não acham?

Uma coisa é certa, a Morte não acha.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Devaneios noturnos

A chuva cai lentamente pela noite. Novamente, sou invadido pelo melancolismo da água batendo na janela. Estou seco, apesar de sentir como se estivesse no centro da tormenta, atormentado por pecados trazidos pela escuridão descente. O espaço em que estou se tornou negativo pela presença da chuva.

A noite prossegue e continuo perdido na negatividade. Sinto como se estivesse em uma dimensão paralela, formada pelos pensamentos mais obscuros e abismais. A atmosfera é densa, e o mundo ao redor de mim desaparece, pedaço por pedaço. Fixo meu olho em um ponto que se desintegra conforme me afasto da realidade. Agora vejo um quadro seco, não fantasioso, de uma vida. Seria essa a "real" realidade?

Decifro aos poucos o que isso poderia significar. Em um local desprovido de felicidade, imóvel e imutável, tentativas de melhoras são inúteis. A realidade que vejo é, por essência, deprimente, e o homem tenta, miseravelmente, reverter essa situação. Os que alcançam algum sentimento de realização são iludidos por insignificâncias cotidianas. E, por outro lado, os que não tentam estão fadados, assim como eu, a se desencontrarem com o lado positivo da vida. Se é que ele existe.