terça-feira, 30 de junho de 2009

Confissões para um horizonte

Lembro-me de dias, tardes e noites, olhando o horizonte através da sacada do 10º andar. A sensação de liberdade e busca de algo, mesmo desconhecido, tranquilizava os dias mais difíceis e tristes. Podia estar de pé, sentado, com ou sem companhia. A sensação não mudava, era eterna.

Sinto saudades daquela sacada. Talvez não da sacada em si, mas da vista que ela proporcionava. Era simplesmente linda. A cidade, um pedaço do campo e o horizonte, cobrindo o restante do cenário. Imaginava que seria impossível achar alguma visão que pudesse competir com aquela e, até este presente momento, continuo correto nessa afirmação.

Muitos anos se passaram. Nunca mais vou ver aquela sacada, ou aquela vista. Foi-se o tempo de me afundar em pensamentos por horas e horas enquanto olhava o planalto rio-grandense. Agora tudo que tenho são prédios e prédios, por todos os lados. Até o simples ato de abrir a janela e vê-los me enoja.

É horrível confessar que abandonei um mundo em troca de outro. Mesmo sabendo que aquele mundo que eu conheci não existe mais. Ele mudou. E eu prossigo aqui, sem poder olhar para fora, trancado na solidão da cidade grande.

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