segunda-feira, 22 de junho de 2009

Devaneios noturnos

A chuva cai lentamente pela noite. Novamente, sou invadido pelo melancolismo da água batendo na janela. Estou seco, apesar de sentir como se estivesse no centro da tormenta, atormentado por pecados trazidos pela escuridão descente. O espaço em que estou se tornou negativo pela presença da chuva.

A noite prossegue e continuo perdido na negatividade. Sinto como se estivesse em uma dimensão paralela, formada pelos pensamentos mais obscuros e abismais. A atmosfera é densa, e o mundo ao redor de mim desaparece, pedaço por pedaço. Fixo meu olho em um ponto que se desintegra conforme me afasto da realidade. Agora vejo um quadro seco, não fantasioso, de uma vida. Seria essa a "real" realidade?

Decifro aos poucos o que isso poderia significar. Em um local desprovido de felicidade, imóvel e imutável, tentativas de melhoras são inúteis. A realidade que vejo é, por essência, deprimente, e o homem tenta, miseravelmente, reverter essa situação. Os que alcançam algum sentimento de realização são iludidos por insignificâncias cotidianas. E, por outro lado, os que não tentam estão fadados, assim como eu, a se desencontrarem com o lado positivo da vida. Se é que ele existe.

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