Chegou lá, acompanhado de sua mãe e alguns amigos dela. O local estava cheio, para a supresa do rapaz. Ele não imaginava que um evento como aquele poderia atrair elevado número de pessoas.
Todos, impacientes com as portas fechadas, aguardavam. O pequeno grupo, formado por ele, sua mãe, uma amiga dela e o filho da amiga encontrava, a cada momento, antigos conhecidos. Faziam os cumprimentos básicos, tentando quebrar o clima da indiferença. Obviamente, nenhuma conversa tinha sequer alguma profundidade. Mas o rapaz, desnorteado com a situação, ficava viajando. Pensava em qualquer coisa e nenhuma coisa. Não era muito chegado em "fazer social" nem nada. Por isso, respondia com monossílabas que pudessem encerrar a conversa ou, ao menos, fazê-lo escapar dos "papos mortos", como gostava de chamar.
Cresceu a inquietação de todos no momento em que, finalmente, abriram-se as portos. Cada um sacava seu ingresso, colocava-se na fila e esperava o momento de entrar no teatro. O rapaz já enunciou os lugares ao seu "grupo": últimas fileiras, para uma visão melhor da apresentação que estava prestes a se desenrolar.
Sentou-se e continuou a viajar. O resto do "grupo" conversava entre si, e ele só focava-se em músicas de uma banda que havia conhecido há alguns dias. Um metal japonês cheio de solos de guitarra. E era isso que apreciava: solos de guitarra. Tocava-os no ar aleatoriamente. Air guitar em uma apresentação sobre bossa nova. Com certeza, não fazia nenhum sentido.
Foi aí que, por um breve segundo, saiu do estado de "transe guitarrístico". Algumas fileiras a sua frente, uma garota, como nunca antes havia visto. Loira de cabelos lisos e olhos azuis. Ficou instantaneamente hipnotizado. Observava-a todos os momentos e sentia se observado por ela. Uma conexão inexplicável desenvolvia-se naquele momento. O coração, geralmente fechado, palpitou.
Porém, viu-se estremecido. Aos lados da perfeita garota, dois garotos. Imaginou, então, que havia uma possibilidade real de um deles estar envolvido com ela. E esse pensamento drenou um pouco de sua esperança. Esperança essa, que nem sabia direito como existia. Mas existia. Isso, no entanto, não a impediu de continuar olhando-o. E ele retribuía o gesto. Estavam, lentamente, entrando em uníssono.
A apresentação já não importava. Ele e ela, ela e ele. Encontravam-se atraídos mutuamente. Em nenhum momento havia sentido uma sensação com aquela. Era o Destino agindo sobre ele. Ele, que acreditava em livre arbítrio, tragado pelo Destino. Continuava extasiado pela garota. E assim foi durante o resto da noite.
O final aproximava-se e algo aconteceu: ela foi embora. "Antes da apresentação acabar, ela foi embora!", esbravejava mentalmente o rapaz. Foi atingido. Imaginava que, talvez, fora enganado pela sua vontade de tê-la. Que nada havia sido real. Que ela lançava olhares por nenhum motivo ou que ela nem havia lançado olhares. Não sabia o que fazer.
Terminou o show. Desceu cumprimentar os músicos, um deles, grande amigo seu. Contou à ele sobre a garota e todo o sentimento que crescia dentro dele. O amigo não sabia direito o que falar, mas achou graça na história toda. Foram, ambos, embora dali e para o sono. A noite estava encerrada.
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A vida voltou ao normal. O rapaz concentrava-se em rua rotina. Aula, guitarra e saídas ocasionais com os amigos. Nada demais. Apenas o usual. Até que...
...um dia, estava em uma das redes sociais virtuais que frequentava e não acreditou no que viu. Amiga de uma amiga sua, estava lá, ela, a garota loira que hipnotizou-o há alguns dias atrás. Observou seu perfil, sem reação. Não sabia o que fazer. Nem o que sentir. Resolveu, finalmente, desligar o computador e esquecer o ocorrido. Surreal demais à ele.
De noite, entretanto, voltou à mesma rede. Lá havia um recado, e este mudou-o. Era dela, perguntando se já haviam se visto anteriormente. Respondeu. Esperou outros recados, e eles vieram. Tudo aquilo estava além da compreensão do rapaz. Muito além. As coincidências eram tantas e nelas ele se perdia. Se perdia em sentimentos, também. Estava, literalmente, abismado com toda a situação. Era, novamente, o Destino agindo sobre ele.
domingo, 29 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Meus pêsames
Todos são poetas. Escritores. Seres pensantes ao extremo. Individualizam-se em uma falsa intelectualidade construída por banalizações superficiais. Hipócritas em demasia, fecham-se em um "mundinho" próprio. Criam as próprias expectativas e ideologias.
Porém, não há nenhuma prática. A teoria reina. O que importa é exprimir opinião, mesmo sem embasamento, sem argumentos, sem nada. Cada um tem a sua. Defendem e atacam futilmente. Ainda, nem importam-se em ouvir o outro. Para os individualistas, talvez faça sentido ser ignorante. Agora, os coletivistas que negam-se a aceitar outros posicionamentos deveriam sentir vergonha. Vergonha por não saberem sobre a inexistência de absolutos.
A palavra perdeu seu significado. Depois de mandar a fala à forca, a escrita agora brinca com a corda enquanto espera o movimento da alavanca...
Porém, não há nenhuma prática. A teoria reina. O que importa é exprimir opinião, mesmo sem embasamento, sem argumentos, sem nada. Cada um tem a sua. Defendem e atacam futilmente. Ainda, nem importam-se em ouvir o outro. Para os individualistas, talvez faça sentido ser ignorante. Agora, os coletivistas que negam-se a aceitar outros posicionamentos deveriam sentir vergonha. Vergonha por não saberem sobre a inexistência de absolutos.
A palavra perdeu seu significado. Depois de mandar a fala à forca, a escrita agora brinca com a corda enquanto espera o movimento da alavanca...
domingo, 8 de novembro de 2009
No more sad voices
Estou te observando através do espelho. Sinto que nos conhecemos desde sempre. E o "sempre" faz-me sentir em casa.
Mas, como você se sente? Esta é a questão. Não estou esperando uma resposta fácil. Você inicializou a minha alma, agora apaixonada por ti. Como eu me sinto? É outra questão. Falar "amor" é muito fácil, mas expressá-lo em sua integridade é difícil. É por isso que passo as horas sentado só em minha mente. Pensando em uma maneira de tentar começar a explicar esse sentimento que está dentro de mim.
Se esta é uma cena diferente, é apenas diferente do que já vimos. As estrelas brilham hoje para nós, minha amada.
Mas, como você se sente? Esta é a questão. Não estou esperando uma resposta fácil. Você inicializou a minha alma, agora apaixonada por ti. Como eu me sinto? É outra questão. Falar "amor" é muito fácil, mas expressá-lo em sua integridade é difícil. É por isso que passo as horas sentado só em minha mente. Pensando em uma maneira de tentar começar a explicar esse sentimento que está dentro de mim.
Se esta é uma cena diferente, é apenas diferente do que já vimos. As estrelas brilham hoje para nós, minha amada.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Preocupações
Entrei em uma batalha interna. Meu arrogante ego escolhe as piores horas para não se manifestar.
Não há um porquê em me importar. Ainda assim, me importo. Cadê a boa e velha insensibilidade de sempre?
Esconde-se, temerosa. Algum sentimento em mim é mais forte do que ela. E isso me irrita. Irrita demais. Quero minha frieza. Minha casca dura de pedra. Meu reduto para não demonstrar insegurança. Não quero ser fraco...
Ainda assim, tua ternura me comove. Tuas intenções são as piores, mas me comovem. Já joguei esse xadrez várias vezes, e a derrota sempre me acompanhou. Melhor sair do jogo. Ou, atualmente, melhor resistir ao jogo. Pois, caro leitor, ele está apenas começando...
Não há um porquê em me importar. Ainda assim, me importo. Cadê a boa e velha insensibilidade de sempre?
Esconde-se, temerosa. Algum sentimento em mim é mais forte do que ela. E isso me irrita. Irrita demais. Quero minha frieza. Minha casca dura de pedra. Meu reduto para não demonstrar insegurança. Não quero ser fraco...
Ainda assim, tua ternura me comove. Tuas intenções são as piores, mas me comovem. Já joguei esse xadrez várias vezes, e a derrota sempre me acompanhou. Melhor sair do jogo. Ou, atualmente, melhor resistir ao jogo. Pois, caro leitor, ele está apenas começando...
Discernimento
Já não vejo mais as diferenças. Amor e ódio, um uníssono? Talvez. Fico frustrado por, ao mesmo tempo, amar te odiar e odiar te amar...
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