sexta-feira, 10 de julho de 2009

Uma epopéia militar

O dia não raiou hoje.

Levantei-me da cama, ainda estava escuro. Esperei pelo momento em que o sol faria seu show matinal. Não aconteceu. O dia se conformou em ser liderado por uma chuva fina e fria.

Meu pai fez as honras. Levou-me até o destino pré-escrito por um maldito papelzinho. "10/07/2009, às 7:00". Amaldiçoaria o momento em que ganhei este pedaço de desgraça mesmo sabendo que de nada adiantaria.

Cheguei lá. Uma fila. O nervosismo misturado com a raiva crescia em mim enquanto as pessoas se moviam. Ao me aproximar, entreguei o certificado(em péssimas condições) para um "querido" militar com cara de neo-nazista. A pergunta feita por ele foi ridícula: "Teve contato com alguém com gripe suína?".

Vamos analisar essa pergunta: 1º: Como saber se eu tenho gripe suína? 2º: Se eu sei que tenho, porque não estou no hospital? 3º: Existe alguma maneira não estúpida de responder com "sim"?
É óbvio que não. E essa foi a minha resposta: NÃO.

Prossegui. Tomei vários "chás de banco", alternados entre testes bestas(como tirar medidas e responder perguntas ridículas). Alguns momentos me marcaram. Em específico, um que poderia ter me irritado.

Gastei muito tempo tentando parecer "normal". Meu cabelo é geralmente bagunçado, então atrairia atenção dos, ja mencionados, "queridos" militares. Fiz esforço para ficar o mais "apresentável" possível. Nada de exageros nas clothes ou no hair. Mesmo assim, tenho que ouvir um "E esse cabelo?" de um pseudo-dentista camuflado! Eu mereço tamanha atenção?

Felizmente, não foi um fator determinante para os ocorridos. Na sequência, colocaram-me junto de outros três marmanjos em uma cabine semi-aberta. Nela, passei momentos de tensão silenciosa. Além de responder mais perguntas toscas, tive que ficar só com a roupa íntima e, por um breve momento, sem roupas. Seria vergonhoso se não fosse tenso. Muito tenso.

Após uma análise do pseudo-médico(irei exagerar nos "pseudos", não reclamem), fui mandado para um assento divido por poucas pessoas. Passei muito tempo ali, vendo pobres almas em outros bancos recebendo uma "palestra" de como levantar uns pesos que estavam no chão, usados para medir a força dos futuros "recrutas". Em um momento, uma figura sentou-se por perto. Era amigável, ao menos. Contou-me que não passou por exames fisícos, sendo(misteriosamente) "liberado de servir" pelo pseudo-dentista engraçadinho. Após algum papo furado, fomos todos chamados a um outro local.

Chegou um oficial de patente superior, sabe-se lá qual seria essa. Explicou que estavamos dispensados e que teríamos que passar por algumas burocracias estúpidas. Não prestei muita atenção, tentava disfarçar o sorriso e a alegria que se escondiam por trás daquela notícia. Aguentei mais um pouco para receber uns documentos. Saí de lá, peguei o ônibus e voltei para casa.

O resto do dia foi dedicado a comemorar o fato. Entretanto, o último momento antes do sono foi reservado a relatar-lhes, aqui, esse conto de "bravura e heroísmo", em uma singela sexta-feira.

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