Um simples som parou o mundo. Sua emissão ecoava pelos mais distantes pontos, enquanto os seres, estáticos, contemplavam sua totalidade. Não havia maneira de encontrar a origem que causava o momento presente. Um silencioso entusiasmo coletivo.
Um deles, porém, voltou-se contra a massa. Não aguentava a manipulação que o som exercia. Era único mas não tinha voz suficiente. Mesmo assim, apostou na sorte. Rebelou-se. Era o correto a fazer, para um "não-conformista". Concordava com o sombrio cenário, que urgia pela auto-destruição. Ambos concluíram que a surdez seria melhor do que aguentar aquela megalomania.
O silencioso entusiasmo era previsível. Dar algo em troca de obediência. Essa sensação era o "algo". Congelados no tempo, todos não se importavam. Ignoravam a conformidade em que se encontravam.
Mas aquele, entretanto, pingava seu sangue pela devastação. Pensou. Um mundo sem nada não terá o som. O cenário, lamuriando, não ia resistir muito. Era óbvio a sua missão: acabar com o momento, pra sempre.
Tentou, então, atentar. Jogar algo de grande porte em algum lugar importante. Destruição na certa. Após certo esforço, conseguiu. Um edifício caiu.
Então, o mundo voltou. Agora, o som direcionava todos contra aquele, que, um dia, havia sido diferente. Morreu, mas levou o cenário com si. Tentou mudar e conseguiu, levemente, pequenas alterações.
O som ecoou, mais uma vez. E todos, até hoje, alienados pela sua mais cruel definição.
domingo, 12 de julho de 2009
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