quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A verdadeira companheira

A solidão está em meu caminho. Sento-me ao lado dela, similar a um amigo há tempos esquecido.
Uma música leve completa o clima da conversa. O assunto: eu. É a única companheira para debater sobre esse tema.

Me acompanha quando saio de casa, à noite, após ter brigado com minha família inteira. O ar frio da noite tem seu cheiro, obrigando-me a perceber sua presença. Me proporciona uma sensação de conforto à medida que atravesso as ruas, distraído da presença alheia de qualquer pessoa. A caminhada dura 20 minutos, suficiente para um "papo" rápido.

Na volta para "casa", encontro meus pais, olhando para mim. Não falam nada, simplesmente notaram minha presença pelo barulho que fiz ao abrir a porta. Vou para o quarto. Não falo com ninguém. Me distanciei do mundo e ele fez questão de fazer o mesmo. Minha família pouco se importa com meus sentimentos. Já estou conformado.

Ela volta para mim, madrugada adentro. Provavelmente continuará comigo pelo resto dos tempos, não sei dizer. Não é a solidão de não ter ninguém, e sim a de perder aqueles que importavam. Amigos separados por quilômetros. Família auto-destrutiva.

Não tenho espaço para futuros esperançosos. Cansei deles. Não vou mentir para mim. É ruim e terei que suportar.

A música leve termina e acabo de escrever meus lamentos aqui. É terapêutico fazê-lo, mas não me proporciona nenhuma alegria. É apenas algo que sinto que devo fazer. Apenas.

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